José Sarney volta a ser eleitor do Maranhão

por Jorge Aragão

O ex-presidente da República, José Sarney (PMDB), conforme já havia sido especulado, confirmou nesta semana a sua transferência de domicílio eleitoral do Amapá para o Maranhão, mais precisamente para São Luís.

A decisão de José Sarney enterra de uma vez as especulações de que ele seria candidato ao Senado pelo Amapá novamente. Apesar de liderar, e com folga, os levantamentos feitos no ano passado, Sarney manteve-se firme na decisão anteriormente anunciada de que não disputaria mais nenhum cargo eletivo.

Sendo assim, José Sarney volta a ser eleitor do Maranhão, mas agora resta saber se o governador Flávio Dino, pela paixão incontida e por estar abduzindo boa parte dos políticos que pertencia ao Grupo Sarney, irá pedir também voto ao ex-presidente.

Partindo de Flávio Dino, doido é quem dúvida.

Impressionante: nem no Carnaval Flávio Dino esquece Sarney

por Jorge Aragão

Está cada dia mais incontrolável a paixão do governador Flávio Dino pelo ex-presidente da República, José Sarney. Nem mesmo em pleno Carnaval o comunista consegue esquecer a paixão pelo sobrenome Sarney. O jornalista Marco Aurélio D’Eça, em seu blog, fez uma postagem sobre o assunto, indo direto ao ponto e mostrando, além da paixão, a eterna incoerência de Flávio Dino. Veja abaixo.

Nem durante a folia o comunista esquece o ex-presidente, que parece ser um ídolo para ele; pior: mesmo chamando a Rede Globo de golpista, governador sonha em aparecer na Globo

O governador Flávio Dino (PCdoB) exibiu mais uma vez durante o fim de semana a sua paixão recolhida pelo ex-presidente José Sarney.

Ema uma postagem que deveria ser para comemorar a entrega de uma praça na Beira-Mar – feita com dinheiro federal – o comunista voltou a citar Sarney, numa demonstração de admiração doentia pelo ex-presidente.

Além da paixão carnavalesca por Sarney, Dino revela na postagem um outro desejo recolhido: a Rede Globo.

Apesar de taxar de golpista a emissora carioca, o governador demonstra desejo de aparecer na programação global; e reclama também de Sarney por não estar lá.

O governador comunista do Maranhão tem um desejo doentio de ser Sarney, já demonstrado em vários posts neste blog.

E neste período essa paixão parece aumentar consideravelmente.

Afinal, como diz o ditado, tudo é carnaval…

Coluna do Sarney: “Bloco dos Perseguidos”

por Jorge Aragão

Por José Sarney

Ao longo da vida tenho escrito tanto sobre o Carnaval que já não sei se devo continuar no tema ou escolher outro, um que fale dos males que hoje afligem o nosso povo, sobretudo a violência, a insegurança e o cultivo do ódio, do fanatismo e da perseguição que são a moeda que circula hoje no Maranhão. Disseram-me até que estavam tentando organizar um Bloco dos Perseguidos, mas chegaram à conclusão que eram tantos que não caberiam em um só bloco, mas ocupariam todo o Estado. Os pobres comerciantes, além de terem de enfrentar a crise, têm de enfrentar o aumento dos impostos, que de maneira brutal caiu sobre o empresariado. A pecuária está estrangulada, com a via crucis que tem de enfrentar no caminho de banco em banco, de burocracia em burocracia, com os preços que até hoje estão deprimidos. O mesmo com os agricultores, grandes e pequenos, tendo que trabalhar somente para pagar impostos, dinheiro que vai para pintar de vermelho escolas, o muro do estádio, hospitais e tudo mais que aceite tinta. O vermelho é a cor revolucionária, fardamento dos funcionários que lidam com o público.

Mas deixemos isso para lá e vamos botar os tamborins para tocar, os tambores de São Luís, que tem um batido de 400 anos, as cabrochas bonitas rodopiando ao ritmo dos cocos africanos, um deles o Tambor de Crioula, e o gingado dos fofões no seu grito de guerra: “Tu me conheces, Carnaval?”

Meu tio Ferdinand, um festeiro de primeira linha, uma vez, quando viu o Bloco da Mesa, todos cantando com uma mesa carregada por foliões, tomou a mesa e colocou na cabeça e inventou uma marchinha: “Esta mesa não é minha, esta mesa é da vizinha.” E os donos verdadeiros do Bloco da Mesa o expulsaram, deram-lhe uns bofetões e ele chegou em casa com as marcas. Estórias de Carnaval.

Mas o mais singular Carnaval de que eu ouvi falar foi o do jornalista Antônio Carlos, que me afirmou que na Barra do Corda se cantava o Carnaval em latim – pode? O latim das orações da Quarta-Feira de Cinzas entoado na bagunça do Carnaval. Não era canto gregoriano, mas samba de breque.

E o “Cara-Dura”, o último carro do bonde que ia para o Anil, todo enfeitado, gente brincando com cofo cheio de capim e a tapioca fazendo o Bloco dos Sujos, onde até urina era jogada na luta da brincadeira.

Depois quiseram encurralar o Carnaval só nos desfiles da avenida das escolas de samba, cada uma querendo ter mais brilho do que a outra e criando um espetáculo que não tinha a espontaneidade dos blocos de rua.

Agora, há um movimento da onda contrária, está voltando o Carnaval de rua em todo o Brasil. Em São Paulo o prefeito está discutindo se são três milhões e meio ou quatro milhões de bloquistas. Em Recife é o Galo da Madrugada, na Bahia, com bloco ou sem bloco, a turma quer é brincar, reclamando da falta de mictórios – e na falta destes marcham para aquilo que na Bahia chamam de descarrego -, enquanto no Rio também os mijadores de automóvel fazem a festa dos fotógrafos e dos curiosos.

Mas estamos falando é daqui e vamos deixar para lá que eles façam o que quiserem para festejar a alegria. No Maranhão o Carnaval forte sempre foi e será o de blocos de rua, com maizena e sem o rodó (lança-perfume de outrora) a fazer os sovacos cheirosos da folia. A palavra de ordem portanto é botar o bloco na rua… e viva o Rei Momo!

Picasso, quando completou 90 anos, disse: “Ah! Que saudades dos meus 80.” E eu, que estou no caminho de lá, que nunca fui carnavalesco, que só gostava mesmo era de assistir os desfiles e ver minha sogra, na Rua do Passeio, com a grande panela de mingau de milho, a receber os bêbados e dar a cada um copázio – eles saíam bons, para recomeçar um novo porre, eu digo:

– Ah! Que saudades, não dos meus 80, mas dos meus 18, com baile de máscara, dominó e tudo.

Todos errados, apenas o “professor de Deus” correto

por Jorge Aragão

Como era esperado, o governador Flávio Dino (PCdoB) foi as redes sociais, mais uma vez, contestar uma decisão do Judiciário contra o ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva.

Depois de ser condenado a nove anos de prisão em primeira instância, Lula voltou a ser condenado, desta vez por três desembargadores do TRF-4, que, por unanimidade, não só confirmaram a condenação do ex-presidente, como ampliaram a pena para doze anos.

Apesar da condenação já ter sido na segunda instância, confirmando a primeira e por unanimidade, Flávio Dino segue, com interesse meramente eleitoreiro, querendo ser o único certo, afirmando que juiz e desembargadores estão errados nos seus entendimentos jurídicos.

A bem da verdade, Flávio Dino sabe que a eleição de 2018 será uma com Lula e outra totalmente diferente sem o petista, que o comunista esperava ser o seu principal cabo eleitoral. Entretanto, quem bem definiu os posicionamentos de Flávio Dino e José Sarney com relação ao julgamento do ex-presidente Lula, foi o ex-deputado Joaquim Haickel.

Sarney também quer Lula absolvido no TRF-4

por Jorge Aragão

O site Antagonista, um dos principais do Brasil sobre o debate político, repercutiu nesta quarta-feira (24), as declarações do ex-presidente da República, José Sarney (MDB) sobre o julgamento do também ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT).

José Sarney diz que “ torcerá” pela absolvição de Lula e que uma “ eleição sem o petista, seria uma eleição sempre contestada e com enorme frustração no eleitorado”. Sarney destacou ainda a grade liderança de Lula, não só com a população, mas também diante da classe política.

Só que ao contrário do governador Flávio Dino (PCdoB), José Sarney ao torcer pela absolvição de Lula, amigo e aliado político, não precisou atacar ninguém, muito menos o Judiciário, através do juiz federal Sérgio Moro.

O julgamento segue acontecendo no TRF-4 em Porto Alegre no Rio Grande do Sul. O julgamento deve ser conhecido ainda nesta quarta-feira. Clique aqui para acompanhar o julgamento.

O Maranhão engatou marcha à ré

por Jorge Aragão

O Maranhão vive hoje um drama impressionante: parece que engatou marcha a ré e tudo piorou nos últimos tempos. Isso não é apenas uma percepção generalizada, mas pode ser verificado por números. As estatísticas no Brasil ainda são publicadas com algum atraso, por isso os dados de que dispomos hoje são, na maioria, de até 2016, mas são esclarecedoras: o andar para trás é real.

Os números baixaram, o Maranhão criou 300 mil novos pobres, aumentou impostos liquidando comerciantes e, atrás de dinheiro, taxou automóveis e motocicletas que o Estado, para fazer caixa, tomou de pequenos e pobres empreendedores.

Alguns dados, que explicam muito, raramente são citados. Vejam, por exemplo, a situação dos jovens entre 16 e 29 anos, quando estão começando a vida. O IBGE os divide em quatro categorias: os que só estudam, os que estudam e estão ocupados (trabalham), os que só trabalham e os que não estudam nem estão ocupados. O ideal seria que essa última categoria fosse a menor. Até três anos atrás, o índice dos que não estudam nem trabalham estava melhorando, mas em 2016 piorou 13%. Os que estudam e trabalham caíram 27%, os que só estudam subiram 6% e os que só trabalham caíram 12,5%. O que isso explica? Que os jovens não encontram trabalho – 70% deles (23% maior que a média nacional). Os jovens e os adultos, pois em dois anos o número de pessoas ocupadas caiu em 106 mil. O de pessoas desocupadas, por outro lado, cresceu 58%, passando de melhores que a média nacional para piores. Em São Luís cresceu 61%, chegando a praticamente 1 entre cada 5 maranhenses maiores de 16 anos que têm condição de trabalhar!

Para qualquer lado que se olhe os números são ruins. O PIB – Produto Interno Bruto, que mede o conjunto de riqueza de uma região – maranhense caiu 3,3% em 2015 e 6,9% em 2016.

Somos hoje o único estado em que mais de metade da população vive abaixo da linha de pobreza. O número de pessoas com renda menor ou igual a meio salário mínimo aumentou, em 2016, cerca de 10%, passando a ser o dobro da média nacional.

O que mais se vê é abandono e desânimo. Estradas abandonadas – as estradas estaduais são consideradas pela Confederação Nacional dos Transportes as piores do país -; ruas e avenidas alagadas, como a Avenida dos Africanos e a orla do Araçagi; violência batendo recordes; obras, como a da Barragem do Bacanga, onde em setembro de 2015 afundou uma comporta, com atraso de 1 ano.

Para não ficar só no ruim, temos pelo menos uma boa notícia, a inauguração de uma obra do governo federal importante, que é a duplicação do trecho da BR-135 entre a Estiva e Bacabeira. É conquista de Roseana e da bancada federal do Maranhão, que se empenhou para que esse ponto de estrangulamento fosse superado. A obra foi inaugurada na quinta-feira, com presença de ministros e parlamentares, mostrando que o governo federal está trabalhando para nosso Estado.

Coluna do Sarney

Pedro Fernandes pede desligamento da vice-liderança do Governo Temer

por Jorge Aragão

Clique no documento para ampliar

Ainda repercute o imbróglio sobre a não ida do deputado federal Pedro Fernandes (PTB) para o Ministério do Trabalho. O parlamentar maranhense chegou a ser indicado pelo seu partido, mas não teve o nome aprovado pelo presidente Michel Temer (PMDB).

Pedro Fernandes atribuiu a sua não ida para o Ministério do Trabalho a um suposto veto feito pelo ex-presidente José Sarney (PMDB). O tal veto seria pelo fato do PTB integrar o Governo Flávio Dino (PCdoB), só que José Sarney negou o veto e afirmou que jamais vetaria um maranhense para qualquer cargo político. O ex-presidente lembrou que se não vetou Flávio Dino para a EMBRATUR, não teria motivos para vetar o nome Pedro Fernandes.

Nesta terça-feira (09), de maneira coerente, o deputado Pedro Fernandes encaminhou ofício ao Líder do Governo na Câmara Federal, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), seu desligamento da vice-liderança do Governo Temer. Clique no documento postado para ampliar.

Pedro Fernandes justifica que o seu pedido de desligamento seria “para evitar embaraços do presidente Michel Temer com o ex-presidente José Sarney”.

Na realidade Pedro Fernandes ainda está ressentido pelo contorno que tomou o caso e fez um raciocínio lógico, se não serve para ser ministro do Trabalho, não pode servir para ser vice-líder do Governo Temer.

Entretanto, é preciso também dizer que se sobrou coerência nessa decisão, faltou coerência para a aliança com o PCdoB no Maranhão, afinal o próprio presidente do PTB, Roberto Jefferson, já deixou claro sobre o que pensa do comunismo (reveja).

Sarney, meu tipo inesquecível

por Jorge Aragão

Por Ricardo Noblat – Vestido preto no armário, sofá branco na sala de estar e José Sarney no poder têm algo em comum: funcionam.

Que não se espere deles nenhuma surpresa. No mais das vezes seu desempenho é mediano. Mas como seria difícil imaginar o mundo sem eles…

É por isso que Sarney pode dar-se ao luxo de repetir que já se aposentou da política, que não se mete mais em nada, que lhe atribuem uma importância que já não tem…

Sarney pertence à categoria das coisas básicas. como o vestido preto e o sofá branco. E não dá qualquer sinal de que deseje renunciar a tal condição.

Nascido José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, amputou do nome o Ribamar e o Ferreira, insinuou-se na política como um renovador dos seus métodos e dela nunca mais saiu.

Foi como governador do Maranhão que o conheci, em abril de 1970, na inauguração da Usina Boa Esperança, no Piauí. Estava a poucos dias do fim do seu mandato.

Nunca mais o perdi de vista – quando nada porque meu tio, dom José de Medeiros Delgado, era arcebispo do Maranhão. Foi ele que casou Sarney com dona Marly, batizou Roseana e casou-a com Jorge Murad.

Quando Sarney era presidente da República, critiquei-o sem piedade em artigos no Jornal do Brasil. Meu tio me dizia então: “Se você pensa que irá derrubá-lo, fique sabendo que ele sobreviverá a nós dois juntos”.

Ao meu tio, sobreviveu. Ao regime militar de 64, do qual divergiu a princípio, também. Aliou-se aliou a ele para, depois de 21 anos, ao pressentir seu ocaso, afastar-se a tempo de pular no barco da oposição e, por um capricho do destino, ascender à presidência da República.

Foi o presidente que alcançou a maior taxa de popularidade por ter congelado preços e salários para sufocar a inflação. Foi também o único presidente apedrejado depois que os “fiscais de Sarney” descobriram que haviam sido enganados.

“Aquele foi o maior erro que cometi na vida”, contou-me certa vez já como senador do Amapá. Sim, porque como o PMDB do Maranhão lhe negara abrigo para que fosse candidato ao Senado, ele encontrou-o no Amapá. Ali, se quisesse, hoje, disputar um novo mandato, seria imbatível.

Por três vezes – ou foram quatro? – presidiu o Senado. Deu as cartas durante os 14 anos e poucos meses do PT no poder. E ganhou de Lula o título de “homem incomum”.

Não foi pouca coisa. Antes, Lula o chamara em público de ladrão.

Na última terça-feira, o “homem incomum” vetou o nome do deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) que já havia sido anunciado como novo ministro do Trabalho. Fernandes simplesmente recusou-se a beijar sua mão antes de assumir o cargo.

O presidente Michel Temer justificou assim a aceitação do veto: “Devo muito a Sarney, sabe…”.

Quem não deve algo a Sarney, prestes a completar 89 anos de idade?

Vestido preto, sofá branco e Sarney estão acima e a salvo da conjuntura. São itens atemporais.

Recordar é viver, meu caro Flávio Dino…

por Jorge Aragão

O Blog recebeu um vídeo de um pequeno trecho de uma entrevista, do ano de 2014, do ex-presidente da República, José Sarney, ao programa Avesso, na TV Guará.

Na oportunidade, José Sarney afirmava, o que disse recentemente ao negar o suposto veto ao deputado federal Pedro Fernando no Ministério do Trabalho, que jamais vetaria nenhum maranhense para assumir cargo público.

O ex-presidente Sarney disse que teve a oportunidade de vetar o nome de Flávio Dino para a EMBRATUR, ligado ao Ministério do Turismo que era comandado pelo PMDB, mas não fez e que o comunista ainda foi até sua residência agradecer o gesto.

Mas isso Flávio Dino não conta. Veja abaixo o vídeo.
 

Veto a Pedro Fernandes: as versões de Joaquim Haickel e Cláudio Humberto

por Jorge Aragão

 

Por Joaquim Haickel – Pedro Fernandes se elegeu vereador de São Luís em 1992, vaga que antes era ocupada por seu irmão, Manoel Ribeiro, que foi inclusive presidente da Câmara Municipal da capital, e naquele momento era deputado estadual, e iniciava ali sua brilhante trajetória política.

Mas essa história remonta mesmo os idos do ano de 1993! Tudo começou quando impuseram aos deputados e à Assembleia Legislativa do Maranhão, durante 10 anos, o nome de Manoel Ribeiro como presidente do legislativo estadual. Uma hora os nossos erros voltam para nos assombrar!

Em 1998, depois de duas eleições consecutivas de Manoel como presidente da ALM, Pedro disputa e ganha um mandato de deputado federal, cargo que ocupará por cinco mandatos sucessivos, até que, sabiamente, passará o bastão para seu filho, Pedro Lucas, em 2019.

Até aí tudo está certo, translúcido e completamente bem explicado e entendido.

Os Ribeiros sempre foram aliados do grupo liderado por José Sarney, mesmo que o mando deste grupo tenha sido exercido por sua filha Roseana nos 14 anos em que ela foi governadora do Maranhão.

Para Roseana era muito cômodo que Manoel Ribeiro controlasse a Assembleia Legislativa e os deputados, para isso deu a ele todo o poder necessário para tanto.

Pedro Fernandes sempre foi reconhecidamente um político mais bem preparado que seu irmão mais velho e logo impôs um estilo próprio. Engenheiro, bem versado e mais culto que o irmão, era tecnicamente mais capaz de assumir tarefas burocráticas. Já Manoel, passado na casca do alho, sempre foi um político mais arguto, mais afeito ao jogo dos bastidores da política. Era indiscutivelmente aquilo que se chama de uma raposa felpuda da política maranhense de seu tempo.

Quatro momentos da trajetória de Pedro Fernandes foram os pontos altos de sua vida pública. Quando se elegeu vereador, foi um excelente vereador. Quando se elegeu Deputado e novamente teve boa atuação. Quando foi indicado secretário de Educação por Roseana Sarney e agora quando teve seu nome indicado para ser ministro do trabalho.

A política é um sacerdócio. Uma ocupação parecida com a dos homens que dedicam sua vida a Deus. Os médicos de antigamente tinham essa mesma característica. Dedicavam-se à sua função de corpo e alma. Na política deve ser assim. Se você não se dedicar integralmente a ela, ela lhe falta. Se bem que para ter sucesso em qualquer setor essa máxima se aplica.

Quando a direção nacional do PTB indicou o nome de Pedro Fernandes para ministro do trabalho, o fez por ver nele um quadro capaz de desenvolver o trabalho de sustentação que o partido precisava para suas políticas. Ocorre que Pedro deveria primeiro fazer o dever de casa e ele não fez!

Aprende-se cedo na política que atitudes falam mais alto que o som de nossa voz. Sabendo da amizade de Zé Sarney com o Presidente Temer, Fernandes tinha obrigação de saber que o presidente da República pelo menos consultaria o ex-presidente, líder inconteste do estado do futuro ministro, sobre o fato de indicar um político de seu estado, sabidamente seu amigo, para um cargo tão importante, ainda mais pelo fato desse amigo estar vinculado a um adversário não só do ex-presidente, mas a alguém que recorrentemente chama Temer de golpista e ilegítimo!

Ora bolas, é ter muito pouca capacidade de entendimento do cenário político! Como é possível querermos que as coisas venham a acontecer como se deseja, trabalhando no sentido contrário!?

Já que Fernandes está agora alinhado a um governador, adversário do homem que vai nomeá-lo, o certo a fazer neste caso, deveria ser, de comum acordo com o governador, estabelecer que o mais importante neste momento seria garantir sua nomeação, coisa que seria bom para todo mundo. Todo mundo mesmo! Não dá para apagar incêndio com gasolina. Numa situação dessas o velho Manoel se sairia muitíssimo bem, já Pedro não é tão bom nisso.

Ao tentar demonstrar uma lealdade subserviente ao governador, Pedro pediu para não ser nomeado Ministro. Lealdade é a maior das qualidades de um político, desde que ela não seja capachilda, desde que ela aconteça de maneira livre e independente, caso contrário é pura dependência, imposição.

Tenho certeza que Zé Sarney não foi consultado pelo PTB ou pelo presidente Temer sobre a indicação de Pedro Fernandes para o ministério. Estive com Sarney no dia da indicação e ele comentou comigo que seria uma coisa muito boa para o Maranhão ter dois ministros novamente, ainda mais sendo Pedro.

Tenho certeza que ele não pegou o telefone para vetar o nome de Fernandes. O que ocorreu é que as declarações atabalhoadas de Pedro e as repercussões delas, muitas de forma bastante maldosa, aproveitando-se da inabilidade do deputado neste caso, fizeram não só Temer, mas o próprio PTB nacional repensar a indicação. Dar um ministro para um adversário, em meio a uma batalha política como a das reformas e a condução do país em meio a toda essa crise, é uma temeridade.

Pedro deveria ter ficado calado, consolidado seu nome e esperado ser nomeado. Não precisava trair Flávio Dino, só não podia ser subserviente a ele. Este fato prejudicou inclusive o próprio governador do Maranhão, que acabou não tendo um ministro ligado a si!

Depois do caldo derramado resolveram fazer o que os políticos fazem toda vez que não têm coragem de reconhecer seus erros: “Isso é coisa do Sarney!”

Não meto a minha mão no fogo por Zé Sarney, exatamente por saber que ele é o maior e o melhor político, mesmo sem mandato eletivo, ainda em plena atividade no Brasil, mas posso garantir que a maioria das coisas que as pessoas atribuem a ele, é obra da incapacidade das próprias pessoas de fazerem o que devem ou pelo fato de terem feito o que não deveriam.

Com perdão da má comparação, acontece em relação a Sarney a mesma coisa que acontece em relação a Deus e ao Diabo. Grande parte dos milagres creditados a Deus e dos flagelos debitados ao Diabo, ocorrem por obra e graça da nossa incapacidade de fazer o que deveríamos.

PS1: Depois de reler e revisar o texto acima, cheguei a conclusão que não vai adiantar que se diga e até mesmo que se prove que Sarney não vetou o nome de Pedro Fernandes, pois muitas pessoas não vão acreditar nisso. Porém uma coisa é certa, se Pedro Fernandes tivesse agido de outra maneira, da forma politicamente correta, uma hora dessas, ele seria ministro do trabalho.

PS2: Já imaginaram se o PTB nacional, comandado por Roberto Jeferson, que detesta Flávio Dino e o PC do B, obrigasse o partido no Maranhão a não se coligar com o governador!? Pedro Fernandes estaria no mato sem cachorro, pois a uma altura dessas o grupo Sarney não o receberia de volta!

PS3: A sobrevivência política de Pedro Fernandes e a eleição de seu filho, o promissor Pedro Lucas, independe de sua vinculação com esse ou aquele grupo político, comandado por este ou aquele cacique, seja ele detentor efetivo do poder formal ou não.

PS4: Acabei de lembrar do que minha mãe me dizia, quando eu era ainda bem pequeno: “Dizes com quem andas, que te direi quem és”.