O estudante André Yudji Silva Okimoto, 15, (em primeiro plano) que cursa o 1º Ano do Ensino Médio, assiste a uma aula na unidade em que estuda das Escolas IDAAM, em Manaus, Amazonas, Brasil, em 3 de agosto de 2020, usando máscara respiratória e viseira acrílica, ítens recomendados pela Organização mundial de Saúde (OMS) para frear o contágio da Covid-19 e que são obrigatórios no ambiente escolar. As Escolas IDAAM adotaram diversos procedimentos como aulas presenciais intercaladas com atividades pela internet, o distanciamento entre os alunos, a medição de temperatura, a disponibilização de tótens e garrafas de álcool em gel e o uso obrigatório de viseiras acrílicas e máscaras respiratórias. O Amazonas foi o primeiro estado a permitir o retorno às aulas em unidades de ensino particulares, após a pausa ocasionada pela pandemia da Covid-19. Foto: Raphael Alves / VEJA

Por José Sarney

Ninguém sabe o mundo que nos espera depois desta pandemia. Teremos que nos adaptar à convivência com um vírus que fará parte das campanhas periódicas de vacinação e criar novos hábitos e costumes.

Um dos problemas essenciais tem sido tratado com um grau de insegurança em todo o mundo: como manter vivo o ensino. No Brasil, o problema se agrava pela anomia absoluta do Ministério da Educação, pela trágica e crônica carência de recursos para o ensino público – custa-me acreditar que querem desvincular os parcos valores atuais, tão distantes dos sonhados 10% do PNE. A abertura ou o fechamento das escolas depende, no momento, de decisões estaduais ou municipais, feitas improvisadamente, variando ao vento do agravamento ou da ilusória sensação de amenização da pandemia.

A aula presencial é de vital importância na formação dos jovens (felizmente o STF já sepultou a ideia absurda do ensino domiciliar). No entanto, as condições de tamanho das classes, do distanciamento entre cadeiras, do controle de contaminação são incompatíveis com a realidade de grande parte das escolas municipais e mesmo estaduais. O ensino a distância, que vem sendo praticado por muitas escolas particulares como paliativo razoável, inclusive como meio de diminuir o número de alunos por sala, não pode ser cogitado quando a criança não tem acesso aos equipamentos mínimos necessários.

A necessidade de prioridade de professoras e professores na vacinação é evidente. Estão, no entanto, em 17º lugar para o ensino básico e 18º para o ensino superior.

Além do aspecto pedagógico que se escancara a nossos olhos existe o drama que se desenrola em casa diante de (in)decisão do governo sobre a volta à aula presencial: a dúvida entre pais e alunos. O medo dos pais de autorizar os filhos a comparecer à escola, com a ameaça de contrair a doença e trazê-la para dentro de casa, e de negar a autorização, com o risco de prejudicar sua educação. O medo dos filhos de comparecer, quando os pais autorizam, e o desejo de comparecer, quando os pais negam permissão. Surge assim uma tensão em casa que se soma a todos os medos e dramas já provocados pelo confinamento. Confinamento que, sabemos todos muito bem, é a melhor arma contra a pandemia.

É essencial que os responsáveis promovam um debate sério e estabeleçam uma orientação segura para todo o ensino no Brasil, definindo regras básicas para cada segmento e garantindo os recursos necessários – os já votados no pacote emergencial e outros adicionais, se for o caso -, para não prolongar o terrível prejuízo à educação de nossas crianças e nossos jovens.