Perseguição até no Tribunal de Justiça

por Jorge Aragão

Articulação vinda do Palácio dos Leões tenta mudar acordo tradicional na eleição de presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Maranhão. Pela tradição, os desembargadores mais antigos e que ainda não ocuparam a cadeira de presidente do Poder Judiciário maranhense são os escolhidos para exercer tal função.

Mas a escolha para o próximo biênio, que deve ocorrer em outubro deste ano, pode não seguir o curso esperado.

Pelo acordo feito entre os desembargadores, a vez de presidir o TJ é da desembargadora Nelma Sarney. Mas os Leões já estão rugindo e tentando a todo custo evitar que a magistrada chegue ao posto mais alto do tribunal. E conta com a ajuda de vários setores até mesmo de colegas de tribunal.

A ordem é desgastar ao máximo a imagem da desembargadora para que o clima dentro do TJ fique ruim e os magistrados pressionem a colega a desistir da candidatura, abrindo assim uma brecha na tradição do tribunal de escolha da mesa diretora.

Se as ordens forem atendidas e surtirem o efeito esperado, essa será mais uma demonstração de como age o governo Flávio Dino em perseguição aos que o comunista trata como adversários.

Coluna Estado Maior

Mais ação, menos gogó

por Jorge Aragão

O governador Flávio Dino (PCdoB) comemorou, no início da semana, expressivos resultados do Terminal de Grãos do Maranhão, o Tegram, no Porto do Itaqui, apresentados pela coluna Mercado Aberto, do jornal Folha de S. Paulo.

Na publicação da coluna, há uma comparação entre o desempenho do Porto do Itaqui com os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) – os dois maiores do país -, que atesta a elevação em 38% no volume das operações de soja no porto maranhense.

Daí o uso midiático dos números pelo governo comunista, que foi abatido na semana passada com o resultado da Operação Draga, da Polícia Federal (PF), que apontou irregularidades na execução de uma obra no Porto do Itaqui, supostamente comandada por dirigentes da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) nomeados por Flávio Dino.

Para Dino, o elevado crescimento do Porto do Itaqui seria um “desafogo”. Ele só esqueceu de dizer que o Terminal de Grãos do Maranhão – entregue em 2015 pela ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT) – e a modernização do Porto do Itaqui somente foram concretizados em decorrência do esforço da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB).

Foi Roseana quem assimilou o potencial para o escoamento de grãos do porto e o explorou com excelência. A obra recebeu investimentos de um consórcio formado pela CGG Trading, Glencore, NovaAgri (do fundo Pátria) e o Consórcio Crescimento (formado pela francesa Louis Dreyfus Commodities e pela Amaggi).

Em 2014, ao visitar o empreendimento, Roseana já falava dos benefícios – como o aumento na capacidade de armazenamento e expedição de grãos no Itaqui -, o que de fato é constatado agora pela mídia nacional.

Resultado de um planejamento de gestão e não de um discurso oportunista.

Coluna Estado Maior

Obsessão

por Jorge Aragão

Em mais uma de suas demonstrações de total obsessão pelo ex-presidente José Sarney, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), usou as redes sociais ontem para reclamar que coisas obscuras e esquisitas estão acontecendo para prejudicar o estado.

O comunista não especificou o que há de obscuro e estranho acontecendo e nem o que esses supostos atos vêm causando ao Maranhão.

Talvez Dino esteja falando das três últimas operações da Polícia Federal que atingem diretamente sua gestão e seus auxiliares. Foram operações que envolveram desvio de recursos nas Secretarias de Administração Penitenciária, de Saúde e agora, mais recentemente, na Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap).

Na Administração Penitenciária, a PF, na Operação Turing, apontou movimentação suspeita de mais de R$ 37 milhões. Um secretário-adjunto do governo Dino foi preso como suspeito de integrar o esquema.

Na operação Rêmora, a suspeita da PF é que foram desviados mais de R$ 18 milhões em recursos da Saúde do governo do Maranhão. Envolvido estava o presidente de entidade contratada por Flávio Dino para administrar unidades hospitalares.

A terceira operação é a Draga, que também investiga desvio de verbas em obras no Porto do Itaqui e que envolve um diretor da Emap nomeado pelo governador maranhense.

Será que são essas operações as coisas esquisitas que estão ocorrendo? Será que para Flávio Dino é possível que alguém acredite que as acusações de desvio de verba em seu governo são obras de ficção colocadas em práticas pelo ex-presidente José Sarney?

Se for essa a ideia do comunista, é pretensão demais imaginar que os maranhenses são tão ingênuos para acreditar.

Coluna Estado Maior

Ordens já rugiram

por Jorge Aragão

Ordens vindas do Palácio dos Leões já definiram que a base governista na Assembleia Legislativa não deverá deixar passar – mais uma vez – qualquer proposta para emenda impositiva. Pela terceira vez, o deputado César Pires (PEN) tentar colocar em tramitação essa Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para obrigar o Poder Executivo a liberar emendas parlamentares aos 42 deputados estaduais independentes de suas posições.

Em todas as tentativas anteriores, a PEC foi defenestrada para evitar qualquer embaraço para o governo de Flávio Dino. Se se configurar, essa será mais uma demonstração de incoerência do governador Flávio Dino, que fala com discurso republicando, mas na prática suas ações são bem diferentes. César Pires – que conseguiu 17 assinaturas para dar entrada na proposta na mesa diretora – tenta convencer os colegas de que a prática já acontece em outros parlamentos e entre eles, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Mas esse discurso de Pires será contraposto com o discurso dos governistas que já foi até definido: os deputados da base comunista dirão que emenda impositiva na prática não existe e tentarão usar o exemplo da Câmara Federal.

O problema é que esse argumento esbarra em um deputado federal do PCdoB, Rubens Júnior, que, em redes sociais, reconheceu a importância da emenda impositiva para ele, que é oposição ao governo de Michel Temer.

Mas, como sempre, os deputados aliados tentarão fingir que tal declaração nunca foi dada e defenderão até a morte a ordem vinda dos Leões.

Coluna Estado Maior

Bravata e arrogância

por Jorge Aragão

Do alto de sua postura autoritária, que não admite contrariedades, o governador Flávio Dino (PCdoB) tem protagonizado alguns reveses dignos dos mais folclóricos chefões estatais mundo afora. Quase sempre tentando bancar sua opinião mesmo contra todas as evidências, ele acaba por contradizer a si mesmo. Em menos de uma semana, isso aconteceu pelo menos duas vezes.

A primeira se deu em relação ao corte orçamentário na Saúde do município de Caxias. O prefeito Fábio Gentil (PRB) mostrou com todas as provas que houve um corte brutal nos repasses do estado em comparação à gestão anterior no município, que tinha à frente o aliado de Dino, Leonardo Coutinho (PSB). O comunista, como sempre, negou, negou e, por fim, acabou admitindo o corte, anunciando a devolução de parte dos repasses.

Agora, é a vez da Expoema. Quem não se lembra que, em 2016, Flávio Dino desapropriou o Parque Independência – que estava sob comodato da Associação de Criadores até, pelo menos, 2026? Sob a alegação de que o terreno, pertencente ao Estado, serviria para construção de moradias populares, a tradicional feira agropecuária maranhense ficou sem espaço e acabou cancelada.

Pois não é que, agora, o mesmo Flávio Dino anuncia a volta da Expoema – e no mesmo lugar onde sempre ocorreu?

E assim Flávio Dino vai construindo suas histórias. Com arrogância e bravatas.

Coluna Estado Maior

Perseguição clara

por Jorge Aragão

Foi quase virulenta a reação dos comunistas após a cabal revelação de O Estado de que o governo Flávio Dino (PCdoB) cortou, em 2017, 98% dos recursos a serem destinados ao Fundo Municipal de Saúde de Caxias.

No total, o aporte de recursos para o fundo – na comparação entre o primeiro semestre do ano passado e deste ano – caiu de mais R$ 23 milhões, para míseros R$ 446 mil.

Baseada em dados do próprio Portal da Transparência, a reportagem jogou por terra todos os desmentidos do Palácio dos Leões sobre a polêmica e expôs as entranhas de uma ação que tem como único objetivo perseguir.

Os comunistas perseguem o prefeito Fábio Gentil (PRB) porque ele ousou derrotar na eleição do ano passado o queridinho do Palácio dos Leões, o ex-prefeito Léo Coutinho (PSB). E é por isso que, agora, punem a população de Caxias, fechando a torneira dos repasses para a Saúde do município.

Alegam não ter mais dinheiro para mandar aos Municípios. Mas propõem assumir uma maternidade existente na cidade.

Ora, se há verba para o Estado manter a unidade de forma direta, por que a mesma verba não pode simplesmente ser enviada para que a Prefeitura continue à frente da maternidade – como ocorria na gestão Coutinho?

A resposta é uma só: porque o governo quer fazer política com a Saúde. E como encontrou um gestor que não aceita tal medida, agora o persegue.

Coluna Estado Maior

No centro do debate

por Jorge Aragão

Pelo menos quatro maranhenses com atuação em Brasília estão no epicentro de alguns dos principais debates em voga na República atualmente.

No Senado, o presidente do Conselho de Ética, senador João Alberto (PMDB), arquivou recentemente um pedido de cassação do senador Aécio Neves (PSDB) formulado pelo Rede Sustentabilidade e pelo PSOL.

Mas ele ainda não saiu dessa discussão, porque os dois partidos conseguiram as assinaturas necessárias para recorrer da decisão e agora aguardam julgamento pelo plenário. João Alberto participará da votação.

Em outra comissão, ainda no Senado, caberá ao senador Roberto Rocha relatar a indicação da procuradora Raquel Dodge para o comando da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele já deu a entender a jornalistas na capital federal que emitirá parecer favorável.

Já na Câmara, os deputados Rubens Júnior (PCdoB) e Juscelino Filho (DEM) integram a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, portanto, estão entre os primeiros que analisarão a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer (PMDB).

É para lá que o pedido de prosseguimento da ação será encaminhado assim que o peemedebista for notificado da sua leitura em plenário, o que ocorreu na tarde de quinta-feira, 29.

Em todos os casos, as decisões a serem tomadas vão reverberar no Maranhão.

Coluna Estado Maior

Madeira e Roberto Rocha

por Jorge Aragão

O ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira (PSDB) não esconde de ninguém: trabalha dia e noite para que o partido rompa com o atrelamento ao governador Flávio Dino (PCdoB) e apoie um projeto diferente nas eleições de 2018.

O candidato preferido do tucano é o senador Roberto Rocha (PSB), que lançou na semana passada sua candidatura ao Executivo, durante uma entrevista à Rádio Nova FM, de Balsas.

Para isso, Madeira tem feito o que pode para conseguir criar as condições para a formação de uma chapa forte. E quer que a deputada Eliziane Gama (PPS) integre o projeto, como candidata a senadora.

É com esse cenário – e contando com o enfraquecimento do vice-governador, Carlos Brandão (PSDB), no cenário nacional tucano – que o ex-prefeito conta para ter algum êxito na missão de oficializar o rompimento do PSDB com o PCdoB.

Por ora, a única dificuldade parece ser a recente aproximação dos tucanos ao PMDB, principalmente depois que o senador João Alberto (PMDB) decidiu arquivar uma ação contra Aécio Neves (PSDB) no Conselho de Ética do Senado.

Para alguns analistas, esse teria sido um movimento articulado de olho nas eleições de 2018. E que anteciparia uma possível aliança.

Coluna Estado Maior

As surpresas da pesquisa ESCUTEC

por Jorge Aragão

Alguns dados novos surgiram do levantamento Escutec, o primeiro sobre a corrida eleitoral de 2018 publicado por O Estado, e que gerou forte repercussão nos meios políticos maranhenses.

Já era de se esperar a liderança da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), até como contraponto ao governador Flávio Dino (PCdoB). Também já se aguardava a presença do deputado estadual Eduardo Braide (PMN) com potencial considerável na disputa por votos para o governo.

Surpresa mesmo foi a presença de nomes que sequer anunciaram o desejo de disputar cargos eleitorais, como Felipe Camarão e Gutemberg Araújo (PSDB).

Felipe Camarão, ora secretário de Educação do governo Flávio Dino, apareceu com 0,1% das citações entre os preferidos do eleitor para o governo, ao lado de nomes como o senador João Alberto (PMDB), que já foi governador.

Para se ter ideia da importância da lembrança de Camarão, nomes como o prefeito de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB), que passou quase quatro anos em campanha pelo governo, sequer foram lembrados pelo eleitor.

Outra lembrança surpreendente, esta para a disputa de senador, foi a do vereador Gutemberg Araújo (PSDB), que figurou com os mesmos 0,1% dados a João Alberto, que já ocupa o mandato.

A Escutec mostrou, portanto, que o eleitor maranhense ainda tem os nomes gravados para o poder no estado. Mas revela o surgimento de novos personagens no cenário.

Coluna Estado Maior

Escape

por Jorge Aragão

O governador Flávio Dino (PCdoB) comemorou ontem, em seu perfil, em rede social, o resultado de mais uma pesquisa de opinião pública do Instituto Exata, que aponta a aprovação de 58% da gestão comunista.

Compreensível o entusiasmo do governador, não fosse uma estranha coincidência em todo esse contexto: a pesquisa, bem como as anteriores, surgiu justamente após novo desgaste enfrentado pelo Governo do Maranhão.

Além do escândalo dos desvios de recursos públicos da Saúde, apontados pela Polícia Federal no bojo da Operação Rêmora – caso mostrado em rede nacional pelo programa Fantástico, da TV Globo -, e da proposta de criação de uma CPI na Assembleia Legislativa para apuração justamente dos supostos desvios no setor, a publicação da pesquisa ocorreu após surgir nos bastidores a informação de que o Instituto Escutec já guardava números desde a última sexta-feira de um levantamento de intenções de votos no Maranhão.

A Escutec, revelada apenas ontem, atesta vantagem da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) sobre o comunista para a disputa de 2018. Talvez esse seja o principal motivo da exploração do levantamento da Exata nos perfis em rede social do governador e na mídia alinhada ao Palácio dos Leões.

A bem da verdade, Flávio Dino sente o peso das denúncias que atingiram a rede de saúde pública estadual. Observa com temor a possiblidade – ainda que remota -, de instalação de uma CPI na Assembleia Legislativa e se preocupa com o avanço de adversários junto ao eleitorado maranhense.

Resta a ele, de forma não tão exata assim, analisar os números.

Coluna Estado Maior